O causo que hoje vos conto, aconteceu com um finado amigo meu, companheiro de buteco, que certo dia inventou de ir caçar onça, pegou tua carabina pendurou nas costas e levou seu cachorro, inté passou em casa pra que eu fosse junto, mas tinha muito serviço, muita mandioca pra rancar.
Era final de tarde, e lá se ia compadre Jesuíno subindo a serra rumo à mata, nisso se passava umas quatro da tarde, a caminhada era por de mais comprida, e ainda tinha um ribeirão que só se cruzava no peito, Jesuíno era manjado naquelas bandas, conhecia árvore por árvore, escolheu a melhor pra ficar na espera da onça que rondava por lá, tempo passava, cigarra cantava e nada da onça, até que o homem houve de escutar barulho no mato e decidiu mirar, o cachorro ensinado tava no galho do lado e pulou na moita, e só se ouviu o grito do cachorro.
Jesuíno era cabra valente, medo nem de morte tinha, e foi atrás do bicho saiu cortando mata e seguindo a trilha de planta quebrada, e chegou na bera dum açude onde as taboa tavam tombadas, pensou ser cobra e decidiu voltar pra casa e dormir, já era tarde e mata de noite não é lugar bom de ficar, rumou-se embora e voltou no outro dia quando ainda tinha sol, Jesuíno jurava até o dia de sua morte que o rastro sumiu junto com o açude, mas um dia voltava pra buscar seu cachorro, talvez tenha voltado, depois de morrer uma semana após.
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