sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Jesuíno o Caçador

O causo que hoje vos conto, aconteceu com um finado amigo meu, companheiro de buteco, que certo dia inventou de ir caçar onça, pegou tua carabina pendurou nas costas e levou seu cachorro, inté passou em casa pra que eu fosse junto, mas tinha muito serviço, muita mandioca pra rancar.
Era final de tarde, e lá se ia compadre Jesuíno subindo a serra rumo à mata, nisso se passava umas quatro da tarde, a caminhada era por de mais comprida, e ainda tinha um ribeirão que só se cruzava no peito, Jesuíno era manjado naquelas bandas, conhecia árvore por árvore, escolheu a melhor pra ficar na espera da onça que rondava por lá, tempo passava, cigarra cantava e nada da onça, até que o homem houve de escutar barulho no mato e decidiu mirar, o cachorro ensinado tava no galho do lado e pulou na moita, e só se ouviu o grito do cachorro.
Jesuíno era cabra valente, medo nem de morte tinha, e foi atrás do bicho saiu cortando mata e seguindo a trilha de planta quebrada,  e chegou na bera dum açude onde as taboa tavam tombadas, pensou ser cobra e decidiu voltar pra casa e dormir, já era tarde e mata de noite não é lugar bom de ficar,  rumou-se embora e voltou no outro dia quando ainda tinha sol, Jesuíno jurava até o dia de sua morte que o rastro sumiu junto com o açude, mas um dia voltava pra buscar seu cachorro, talvez tenha voltado, depois de morrer uma semana após.

sábado, 20 de outubro de 2012

Cabocla Juditi

Assim como o vento corre por entre a mata e a serra, essa história correu, atravessou estados, até que chegou em meus ouvidos e hoje posso lhes contar, essa é a história de uma cabocla que de tão bonita atraiu a morte pra dois cabras. Seu nome era Juditi, seu cabelo era preto, sua pele mulata e um corpo esbelto, toda tarde quando o sol ia saindo lá no horizonte, essa caboclinha banhava nua no riacho que descia serra à baixo, mas o que ninguém sabia era que, um homem andava pelas redondezas no mesmo horário, e sempre espreitava o banho da morena por entre as gaias das arvores, sem saber que Juditi tinha noivo, que de vez em quando aparecia por lá, pra fazer uma "surpresinha" daquelas.
Entre espreitada e surpresinha heis que um dia os dois se cruzaram, num canto Quirino o noivo de Juditi e do outro Alberto, o balconista do bar, e no meio Juditi completamente nua, entre os socos e rasteiras que foram dadas pelos dois, Alberto caiu aos pés de Quirino que disse com voz grossa e firme:
- Se tu for cabra macho, mas macho "meeerrmo" aparece na frente da Capela, cinco para meio dia, escolhe tua arma e quem ganhar fica com a moça!
Não deu outra, cinco para meio dia no sol de rancar o couro, Quirino com a espingarda calibre trinta e dois de seu querido pai, Alberto com seu estimado trinta e oito preso no coldre.
Vira de costa, quando o sino bater a gente atira, o que ficar de pé, é o vencedor! - Disse Alberto destemido!
Os dois de pé um de costa pro outro, o suô escorria na testa dos homens, a poeira voava e o povo escondido, espiava por entre as brechas da tábua da parede do bar, no estalar do sino que fez o chão tremer, Alberto acertou os miolo de Quirino, antes que ele pensasse em pensar.
Você deve tá é pensando que Alberto comemorou sua vitória, que nada, nem tempo não dera, o pai de Juditi que espiava de longe, atirou pelas costas, e o homem caiu ajoelhado com sangue amargo na boca!